Arquétipo: a mãe

Carl Jung dizia que todos nós estamos ligados por uma enorme coleção de imagens primitivas que representam nosso inconsciente coletivo. A estas imagens ele deu o nome de Arquétipos.


A Casa de Sofia inicia hoje uma série de posts para debater os principais arquétipos. Para o post de estreia não poderia falar de outro que não fosse a Mãe.


O psicanalista Carl Jung escreveu sobre o arquétipo da mãe e sua importância para o desenvolvimento da humanidade. Para ele, o símbolo sustentava grande parte da mitologia e os conceitos da Grande Mãe ou Mãe Natureza, por meio dos quais a figura materna nutre e protege toda a criação.



O arquétipo da mãe é um dos arquétipos mais comuns e reconhecidos na maioria das culturas. Representa a versão idealizada da maternidade, a mãe como a cuidadora altruísta que protege e sustenta seus filhos a qualquer custo. Ou, por outro lado, este mesmo arquétipo também pode falar da madrasta malvada ou a mãe que abandona o filho.

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A mãe arquétipo não fala só sobre as mulheres que literalmente fazem parte de nosso convívio como mãe, avó ou esposa. Há o que pode ser chamado de mães em sentido figurado.


Dentro do processo terapêutico é possível analisar outros símbolos que despertam devoção ou sentimentos de temor, como por exemplo a universidade, a cidade ou país, a religião. Além de outros metafóricos como o céu, terra, os bosques, o mar, a lua ou quaisquer representações de águas paradas também nos levam ao arquétipo da mãe.


A maternidade não fala apenas desta energia feminina receptiva. Dentro da maternidade também reside uma guerreira, poderosa e ativa, que fará praticamente qualquer coisa para proteger o que ela procura nutrir – e não necessariamente é sempre um filho.


Clarissa Estés diz “no processo natural do amadurecimento, a mae-boa-demais ( arquétipo idealizado) deve se tornar cada vez mais rarefeita, deve definhar até que nos descubramos sós para cuidar de nós mesmas de um novo modo.”

Entender melhor como é a dinâmica de relacionamento com a mae real e a mae internalizada ( projetada/arquetípica) é fundamental no amadurecimento, pois isso revelará como nos nutrimos e nos acolhemos. O processo de amadurecimento e autoconhecimento nos direcionam a um cuidado autônomo, ou seja, ao entender que eu sou minha própria mae, consigo me libertar de tramas tóxicas e aprender a me nutrir com aquilo que realmente faz sentido.

Muitas vezes esse é um processo árduo e dolorido e o apoio terapêutico se faz essencial. Busque ajuda!


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Patricia C. Leite

Psicoterapeuta

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